quarta-feira, 7 de abril de 2010

A televisão e a Infância

Quando a transição se completou e o mundo que antes era apenas um para adultos e crianças virara dois, um para adultos e outro para crianças, assunto de gente grande e assunto de gente pequena, eis que surge algo que aproxima esses dois mundos novamente: a televisão.

“O acesso das crianças a informações do mundo adulto transformou tudo drasticamente”
(Joe Kincheloe, coautor do livro Cultura Infantil e professor de estudos culturais e pedagogia na Universidade Penn State).

Quando os pais não sentem ou não vêem um “problema” na televisão, além de amiga indiscreta, a TV acaba por cumprir o papel de babá eletrônica. Aí entra o que os especialistas chamam de PEDAGOGIA CULTURAL CORPORATIVA- a parte da nossa criação realizada pela indústria do entretenimento. Se antes as memórias de infância eram criadas sob a supervisão dos pais, agora elas vinham da TV, da musica, dos filmes.
“Por decisão ou omissão dos pais, mais e mais experiências dos nossos filhos são fruto de conteúdos produzidos por corporações comerciais”. (Joe Kincheloe)

A quantidade de tempo em frente à tela foi aumentando a cada década, chegando ao ápice nos anos 90. E então ela começou a cair. Mas agora as crianças podiam aprender algo em outra tela, a do computador.


“A única tecnologia que tem potencial para sustentar a necessidade de infância é o computador”


“Para programar um computador, é preciso, essencialmente, aprender uma linguagem. Isso significa que é necessário dominar complexas habilidades analíticas semelhantes às exigidas de uma pessoa plenamente alfabetizada, e para isso é indispensável treinamento especial”.

(Neil Postman)




Matéria: O fim da infância
Texto: Emiliano Urbim
Revista: Super Interessante Edição: 268 – Ago/2009
Referencias: O desaparecimento da Infância, Neil Postman, Graphia.
Cultura Infantil Org. Shirley Steinberg e Joe Kincheloe, Civilização Brasileira

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