quarta-feira, 7 de abril de 2010

A invenção da infância

Aos 13 anos, o príncipe Alexandre, começou a ter aulas com Aristóteles. Aos 16 anos, já comandava exércitos da Macedônia. A transição brusca do banco da escola para a cela do cavalo é um bom exemplo de como os gregos e romanos viam seus jovens abastados: se vivessem o suficiente, poderiam adquirir alguns conhecimentos úteis e, assim que possível, deveriam estar aptos para todas as demandas do mundo adulto.


Na idade média, a vida das crianças piorou. O acesso à educação ficou muito restrito: os mosteiros detinham o conhecimento somente entre eles. E isso só mudou com a invenção da imprensa, que permitiu a popularização dos livros e o ressurgimento da escola. Logo Foi visto que num mundo letrado, as crianças precisavam transformar-se em adultos. O burguês esperto que colocasse seus filhos na escola estava tão somente buscando garantir seu futuro.

O confinamento dos jovens em ambientes separados dos adultos começou a suscitar sentimentos em pais e mestres, que passaram acreditar que eles tinham outra natureza e outras necessidades. (J. H. Plumb).

O iluminismo e as revoluções burguesas inspirados em Plumb formaram essas boas intenções em conquistas reais: os novos códigos civis reconheciam as crianças como indivíduos com direito a proteções legais especificas e necessidades especiais.

Mas veio a revolução industrial e junto a ela novos conceitos. As novas fábricas fizeram os pais botarem as crianças para trabalharem e ajudarem no orçamento familiar. Porém o Estado passou a se dar o direito de agir como protetor das crianças.

Em 1850, a transição se completa. O mundo virou dois: crianças e adultos, e nesse mundo se fala sobre diferenças entre classes sociais, morte, doença, violência, dinheiro, e sexo, um assunto do qual as crianças deveriam ser poupadas em nome da infância sadia.

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